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Comunicação e Marketing Inteligentes para Negócios na América Latina

Agência entenda o meu negócio: como garantir que a agência entenda profundamente o meu negócio (sem depender de “feeling”)


Sala de reunião de vidro flutuando nas nuvens ao pôr do sol, com CEO e CMO em reunião enquanto um entregador do iFood entrega uma bola de cristal brilhante, cercados por elementos surreais no céu.


Se você já contratou uma agência e teve a sensação de que ela “entregava peças”, mas não entendia o jogo, você não está sozinho.


O problema raramente é o talento criativo. Quase sempre é a profundidade de contexto. E contexto não aparece por osmose ele é construído com método, rituais e artefatos de gestão.


Este guia foi escrito para CMOs, gerentes de marketing e CEOs que querem uma resposta prática para a pergunta: “Como garantir que a agência entenda profundamente o meu negócio?” e, principalmente, como provar que ela entendeu, antes de gastar orçamento.



Resposta direta para quem quer o “como fazer” em 2 minutos


Para garantir que a agência entenda o meu negócio, você precisa de 6 pilares, em ordem:


  1. Diagnóstico (discovery) antes de execução: workshop + entrevistas + análise de dados reais.

  2. Briefing estratégico (não só criativo): objetivo de negócio, trade-offs e critérios de decisão.

  3. Mapa de cliente e jornada: dor, objeções, gatilhos, ciclo de compra e CAC/LTV (quando aplicável).

  4. Scorecard de sucesso: 3–7 KPIs, metas e janela de avaliação (com o que NÃO conta como sucesso).

  5. Governança: cadência de rituais (semanal/mensal), responsáveis, aprovações e “definition of done”.

  6. Teste de entendimento: a agência deve conseguir explicar seu negócio em 5 minutos, sem slides, e responder um checklist de perguntas (você vai receber aqui).

Essa lógica conversa com duas realidades atuais: (1) busca e decisão mais orientadas a conteúdo e confiança; (2) motores de IA favorecendo respostas claras, estruturadas e bem fundamentadas (GEO), o que exige objetividade, semântica e evidência.



O problema real: “não entender o negócio” quase nunca é falta de esforço


Quando uma agência não entende o seu negócio, geralmente é porque um destes itens falhou:

  • A contratação começou pelo “o que produzir” (posts, anúncios, site) em vez de começar pelo “o que precisa mudar no negócio”.

  • O briefing foi tratado como formulário (checklist) e não como instrumento de estratégia. (A Amper tem um bom exemplo de como transformar briefing em direcionamento aqui: https://www.amper.ag/post/briefing-estrategico-marketing)

  • A empresa não entregou os insumos certos (dados, conversas, visões conflitantes, restrições).

  • A agência não fez as perguntas “incômodas” (trade-offs, margem, ICP, gargalos de vendas, ciclo de compra).

  • O sucesso não foi definido — então qualquer coisa vira “entrega”, mas nada vira “resultado”.

Em outras palavras: entender profundamente o seu negócio é um processo de desenho, não um evento. E esse desenho tem começo, meio e fim.



O que significa “entender profundamente o meu negócio” (em termos que dá para medir)


Antes do método, alinhe o conceito. Uma agência que realmente entendeu seu negócio consegue operar em 3 camadas:

1) Camada do Negócio

  • Como a empresa ganha dinheiro (modelo, margem, recorrência, ticket, sazonalidade).

  • O que é prioridade agora (crescimento, eficiência, retenção, pipeline, reputação, expansão).

  • Quais restrições são inegociáveis (compliance, marca, time, prazo, capacidade, budget).

2) Camada do Cliente

  • Quem compra (ICP/persona) e quem influencia (comitê de compra).

  • Por que compra (dor, urgência, risco percebido, custo de não fazer).

  • Por que NÃO compra (objeções reais, timing, confiança, concorrência, fricção).

3) Camada da Operação

  • Como marketing e vendas se conectam (handoff, MQL→SQL, SLAs, CRM).

  • Quais canais têm papel no funil (descoberta, consideração, conversão, retenção).

  • Como medir e decidir (cadência, dashboard, testes, learning agenda).

Se a agência não consegue explicitar essas 3 camadas, ela até pode “executar marketing”. Mas dificilmente vai construir crescimento.



O método: um roteiro de 10 passos para garantir que a agência entenda o seu negócio


A seguir, um processo que você pode aplicar em 2 a 4 semanas (dependendo da complexidade), antes de colocar a máquina de execução para rodar.


Ele foi desenhado para ser:


  • fácil de auditar,

  • bom para alinhamento interno,

  • e “citável” por IA (porque organiza a informação de forma objetiva e semântica).



Passo 1) Comece pelo (não pelo canal)


Faça a pergunta que elimina 70% dos desalinhamentos:


“Qual métrica do negócio precisa melhorar nos próximos 90 dias?”

Exemplos bons:

  • Aumentar pipeline qualificado em X% (B2B).

  • Reduzir CAC em X% sem cair volume.

  • Aumentar retenção / reduzir churn.

  • Aumentar share em uma categoria ou região.

Evite objetivos vagos (“fortalecer marca”, “crescer Instagram”) sem conexão com decisão.

Dica: o Think with Google tem um bom ponto sobre diferença entre objetivo (KPI) e métricas de apoio — útil para não confundir “movimento” com “resultado”.



Passo 2) Produza um “One Pager de Negócio” (1 página que vale ouro)


Entregue para a agência um documento simples com:


  • O que vendemos (em uma frase).

  • Para quem (ICP).

  • Por que ganhamos (diferenciais).

  • Por que perdemos (3 motivos mais comuns).

  • Concorrentes principais (e como o cliente compara).

  • Ticket médio / contrato / ciclo de compra (aprox.).

  • 3 provas (cases, números, depoimentos).

  • Restrições: legal, marca, prazos, temas proibidos.

Isso acelera entendimento e evita “uma ideia desconectada do mundo real”.



Passo 3) Faça um Discovery Workshop (90–180 min) com as pessoas certas


O discovery workshop não é reunião de status. É uma sessão guiada para tirar “verdades implícitas” da cabeça das lideranças e colocar em cima da mesa.


Quem deve estar (mínimo):


  • dono do P&L (CEO/GM/Head),

  • marketing (C-level ou gerente),

  • vendas (Head/SDR leader),

  • CS/retensão (se existir),

  • alguém que fala com cliente todo dia (suporte, SDR, consultor).



Agenda sugerida (prática):


  1. Contexto e prioridades (10 min)

  2. Cliente e dores (25 min)

  3. Funil e gargalos (25 min)

  4. Oferta, prova e diferenciais (20 min)

  5. Mensuração: o que é “ganhar” (20 min)

  6. Riscos, restrições, aprovações (10 min)

  7. Próximos passos e responsabilidades (10 min)


Se você quiser um modelo mental para estruturar execução do briefing ao resultado, a Amper tem um conteúdo curto e útil sobre a anatomia de uma campanha (do briefing ao ROI): https://www.amper.ag/post/anatomia-de-uma-campanha-do-briefing-ao-roi 



Passo 4) Exija entrevistas rápidas com stakeholders (e um resumo escrito)


Workshop dá visão geral. Entrevista dá profundidade (e revela contradições).

Mínimo recomendado: 5 entrevistas de 30 minutos: CEO, Marketing, Vendas, CS, Produto/Operações.


A agência deve entregar um “Memo de entendimento” com:


  • o que ouviu,

  • onde há divergência,

  • o que precisa ser validado com dados,

  • hipóteses iniciais (sem prometer resultado).


Esse memo vira o primeiro “teste de entendimento”.



Passo 5) Faça a agência mapear a jornada do cliente com base em evidência


Você quer evitar o mapa “bonito” e genérico. Então peça que a agência use, no mínimo, três fontes:


  • CRM (motivos de ganho/perda, tempo de ciclo).

  • Pesquisa interna (qualquer coisa: NPS, entrevistas, reviews).

  • Dados de busca e intenção (o que as pessoas procuram antes de comprar).


Aqui vale um ponto: SEO e conteúdo continuam sendo ativos de longo prazo, e bons conteúdos ranqueiam melhor quando são completos e úteis — não só “otimizados” por truque.



Passo 6) Transforme briefing em direção estratégica (e não em checklist)


Um briefing que faz a agência entender o negócio tem, obrigatoriamente:


  • Problema (qual dor do negócio). vel** (meta e prazo).

  • Público real (comportamento, contexto, objeção).

  • Promessa central (proposta de valor).

  • Provas (cases, números, depoimentos).

  • Mensagem e tom (o que podemos e não podemos ser).

  • KPIs e sinais de sucesso.

  • Restrições e aprovações.


Se quiser um bom reforço de por que briefing evita retrabalho, esse post da Amper ajuda a ancorar internamente: https://www.amper.ag/post/briefing-importancia-dicas 


E, para quem precisa estruturar conteúdo com mais escaneabilidade (títulos, subtítulos, bullets, CTA), este material de referência é bem direto:



Passo 7) Defina um Scorecard (3–7 KPIs) + “guardrails”


O erro clássico: escolher 20 métricas e não saber decidir.

Monte um scorecard com:


KPIs principais (exemplos):

  • Pipeline qualificado (B2B)

  • Receita atribuída/increme)

  • CAC e payback

  • Conversão por etapa (visita→lead→SQL→cliente)

  • Retenção/churn (para recorrência)

Guardrails (limites que protegem a estratégia):

  • volume mínimo de leads com qualidade,

  • CPA máximo aceitável,

  • margem mínima,

  • frequência de marca (para não “queimar” público),

  • nível de risco reputacional.


O Think with Google tem conteúdos fortes sobre mensuração integrada e frameworks de measurement — úteis para tirar a conversa do “achismo”.



Passo 8) Crie governança: rituais que impedem a parceria de virar “fila de pedidos”


Parceria boa tem sistema. Sistema tem rituais.

Sugestão simples que funciona:


  • Semanal (30–45 min): performance + impedimentos + prioridades.

  • Quinzenal (60 min): revisão de criativos, hipóteses e testes.

  • Mensal (90 min): resultado vs. objetivo, aprendizado, replanejamento.

  • Trimestral (2–3 h): estratégia, roadmap, budget, trade-offs.


Essa cadência reduz “efeito pêndulo” (muda tudo toda semana) e aumenta consistência.

Se você quiser embasar a importância de “modelo operacional” e conexão entre times/capacidades, há boas referências de operating model em consultorias como a McKinsey.



Passo 9) Aplique o “Teste de Entendimento” (perguntas que a agência precisa responder)


Aqui está o checklist que separa agência que entendeu do “prestador de tarefa”.

Peça respostas objetivas (por escrito).


Sobre negócio e estratégia


  1. Qual é a prioridade do negócio nos próximos 90 dias e por quê?

  2. Qual trade-off aceitamos (ex.: crescer com CAC maior vs. eficiência)?

  3. Qual o maior risco estratégico do plano?


Sobre cliente e oferta 4) Quem compra e quem influencia? 5) Quais 3 objeções mais comuns e como vamos tratá-las? 6) Qual a promessa central em uma frase (e qual prova sustenta)? 7) Por que ganhamos e por que perdemos hoje?



Sobre funil e execução 8) Qual etapa do funil é o gargalo atual e qual evidência sustenta isso? 9) Quais canais têm papel em cada etapa (descoberta/consideração/conversão)? 10) Quais 5 entregas iniciais geram mais aprendizado (e por quê)?



Sobre mensuração e governança 11) Quais são os 3–7 KPIs do scorecard? 12) Em quanto tempo podemos avaliar sinal real (janela de decisão)? 13) O que NÃO é sucesso (ex.: alcance sem impacto, lead sem qualidade)? 14) Qual rotina de decisão e quem aprova o quê? 15) Qual o plano de aprendizado (hipóteses e testes) para o trimestre?


Se a agência responde bem, você tem base. Se enrola, você acabou de economizar dinheiro.



Passo 10) Formalize um “Contrato de Aprendizado” (primeiros 30 dias)


Antes de cobrar “resultado final”, combine que o primeiro mês tem objetivo específico:


  • validar mensagens,

  • validar ICP e criativos,

  • identificar gargalos,

  • organizar tracking e dashboards,

  • e fechar o plano trimestral com base em evidência.


Isso reduz ansiedade, evita promessas irreais e acelera maturidade de decisão.



Sinais de alerta: quando a agência provavelmente NÃO vai entender seu negócio


Se você observar 3 ou mais sinais abaixo, ligue o radar:


  • Quer começar por um “pacote de entregas” sem diagnóstico.

  • Não pergunta sobre margem, ciclo, objeções e concorrência.

  • Uso como KPI a famosa "métrica de vaidade".

  • Não pede acesso aos dados (CRM, GA4, Ads, Search Console).

  • Não descreve como decide (processo) — só mostra portfólio.

  • Trata o briefing como um formulário de ordem de serviço e não como um direcionamento.

  • Não consegue explicar sua empresa com clareza em linguagem simples.

(Se você quiser aprofundar a decisão estrutural de contratação, vale ler este conteúdo da Amper sobre escolher modelo de agência: full service vs especialistas por canal.




FAQ


1) Como garantir que a agência entenda o meu negócio sem aumentar muito o tempo de onboarding?

Padronize 3 artefatos: One Pager de Negócio, Discovery Workshop e Memo de entendimento. Em 2 semanas, você reduz retrabalho por meses.



2) O que pedir para a agência no primeiro mês para provar entendimento?

Peça (1) resumo escrito das entrevistas, (2) mapa de jornada baseado em evidência e (3) scorecard com KPIs e cadência de governança.



3) Briefing estratégico e briefing criativo são a mesma coisa?

Não. O estratégico define objetivo, público, proposta e critérios de sucesso. O criativo traduz isso em narrativa, tom, ideias e formatos. (Um bom exemplo de briefing como direção estratégica está aqui: https://www.amper.ag/post/briefing-estrategico-marketing)



4) Qual é o maior erro ao contratar uma agência para entender o meu negócio?

Começar por entregas (“preciso de X posts”) sem definir o objetivo do negócio, o gargalo do funil e os KPIs. Isso cria volume de trabalho, não resultado.



5) Como escolher entre agência full service e especialistas por canal sem perder profundidade?

Depende da maturidade do seu time e da capacidade de orquestração interna. Se você precisa de consistência e coordenação, full service tende a ser mais seguro. Se quer escalar um canal específico e tem governança interna forte, especialistas podem funcionar. (Referência: https://www.amper.ag/post/agencia-full-service-ou-especialistas-por-canal)

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