Marcas mais valiosas do Brasil em 2026: o que Itaú, Nubank e Claro ensinam sobre branding
- Amper Energia Humana

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Qual é a marca mais valiosa do Brasil em 2026?
O Itaú é a marca mais valiosa do Brasil em 2026, avaliada em US$ 13,244 bilhões pelo Kantar BrandZ. O Nubank ocupa a segunda posição, com US$ 12,024 bilhões, enquanto a Claro aparece em terceiro lugar, com US$ 7,421 bilhões.
Divulgado em 24 de agosto de 2026, o novo ranking mostra também uma aceleração relevante do valor das principais marcas brasileiras.
As 50 marcas mais valiosas do país somam aproximadamente US$ 101,1 bilhões, um crescimento de 22% em relação à edição de 2024. Entre as marcas presentes nas duas edições, 59% aumentaram de valor e 18 registraram crescimento de dois ou três dígitos.
Mas o dado mais interessante para quem lidera marketing talvez não esteja na simples ordem do ranking.
Está naquilo que aconteceu por trás dos números.
O Itaú cresceu 79% em dois anos. O Nubank, 162%. A Vivo avançou 71%. A Caixa, fora do Top 10, cresceu 45% e ganhou dez posições.
Ao mesmo tempo, marcas conhecidas e historicamente fortes perderam valor ou espaço.
A mensagem é clara: marca valiosa não é sinônimo de marca famosa. É marca capaz de transformar significado, diferenciação e experiência em preferência — e preferência em resultado de negócio.
Essa lógica ajuda a explicar não apenas o BrandZ 2026, mas também uma mudança importante na própria função do branding dentro das empresas.

Ranking das 10 marcas mais valiosas do Brasil em 2026
Segundo o Kantar BrandZ 2026, estas são as dez marcas brasileiras mais valiosas:
Itaú — US$ 13,244 bilhões
Nubank — US$ 12,024 bilhões
Claro — US$ 7,421 bilhões
Brahma — US$ 6,635 bilhões
Vivo — US$ 5,710 bilhões
Bradesco — US$ 5,121 bilhões
Skol — US$ 4,998 bilhões
Petrobras/BR — US$ 3,616 bilhões
Localiza — US$ 3,214 bilhões
Antarctica — US$ 2,514 bilhões
Os valores publicados no levantamento colocam serviços financeiros, telecomunicações e bebidas entre as categorias de maior presença no topo da lista.
Há também movimentações interessantes fora das dez primeiras posições.
O iFood estreia diretamente no 11º lugar, enquanto Smart Fit, Inter, Stone, Mateus e Vivara também aparecem pela primeira vez entre as 50 marcas analisadas.
A entrada de novos nomes reforça outro ponto: longevidade continua sendo um ativo, mas história sozinha não protege uma marca de novos concorrentes capazes de ocupar rapidamente um espaço relevante na vida das pessoas.
O que significa dizer que uma marca vale US$ 13 bilhões?
Antes de olhar para os vencedores, é importante esclarecer um equívoco comum.
O valor de marca apresentado pelo BrandZ não é o faturamento da companhia, seu valor de mercado na Bolsa ou simplesmente o preço de seus ativos.
A metodologia do Kantar BrandZ procura calcular quanto do valor financeiro de um negócio pode ser atribuído especificamente à força da marca e à capacidade dela de influenciar as escolhas dos consumidores.
Em outras palavras: duas companhias podem ter produtos semelhantes, presença semelhante e capacidades operacionais comparáveis, mas a marca pode fazer com que uma delas seja mais lembrada, mais considerada, escolhida com maior frequência ou capaz de sustentar uma relação de maior valor com o consumidor.
É essa contribuição que o BrandZ busca dimensionar.
A metodologia da Kantar combina análise financeira e pesquisas com consumidores e utiliza o framework Meaningful, Different and Salient, ou MDS.
Em uma tradução estratégica, marcas fortes precisam ser:
Meaningful: relevantes e capazes de atender necessidades funcionais ou emocionais;
Different: percebidas como diferentes das alternativas disponíveis;
Salient: mentalmente disponíveis e facilmente lembradas nos momentos de escolha.
A própria Kantar sustenta que marcas fortes geram valor econômico real e procura isolar a parcela do desempenho empresarial diretamente associada à marca.
Isso muda bastante a conversa sobre branding. Porque branding deixa de ser entendido apenas como identidade visual, campanha institucional ou reputação.
Passa a ser encarado como infraestrutura de crescimento.
Por que o Itaú é a marca mais valiosa do Brasil?
O Itaú permanece na primeira posição do Kantar BrandZ e alcança um valor de marca de US$ 13,244 bilhões, 79% superior aos aproximadamente US$ 7,4 bilhões registrados na edição de 2024.
O crescimento é particularmente interessante porque o Itaú não é uma startup tentando criar notoriedade em uma nova categoria.
É uma instituição centenária.
Esse detalhe importa. Uma das grandes dificuldades enfrentadas por marcas estabelecidas é equilibrar duas forças aparentemente contraditórias: consistência e renovação.
Mudar demais pode destruir ativos de reconhecimento construídos durante décadas. Mudar de menos pode transformar relevância histórica em irrelevância contemporânea.
O desempenho do Itaú sugere que essa tensão pode ser administrada quando a evolução da marca acompanha mudanças concretas no negócio e na experiência do cliente.
Segundo as informações divulgadas sobre o BrandZ 2026, a Kantar associa parte do desempenho do banco à maior eficiência operacional proporcionada por investimentos em inteligência artificial e ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. Entre eles está o superapp Itaú, concebido para concentrar diferentes ofertas da instituição em uma única plataforma.
Esse ponto merece atenção.
A marca não cresce apenas porque a comunicação ficou melhor.
Ela cresce quando comunicação, produto, serviço, experiência e estratégia começam a contar a mesma história.
Para uma organização complexa, o branding mais poderoso talvez não seja aquele que produz a campanha mais comentada.
É aquele que reduz a distância entre a promessa feita pela marca e a experiência entregue pelo negócio.
O caso Itaú mostra por que IA também virou assunto de branding
À primeira vista, inteligência artificial e valor de marca poderiam parecer discussões distintas. Uma estaria ligada à tecnologia e produtividade. A outra, à percepção do consumidor. Na prática, essa fronteira está desaparecendo.
Quando IA reduz atrito, aumenta velocidade, melhora atendimento, permite personalização ou simplifica a relação de um cliente com uma empresa, ela deixa de ser apenas uma tecnologia de bastidor.
Ela passa a participar da experiência da marca.
O mesmo vale para uma IA mal implementada. Um atendimento automatizado que não resolve problemas, uma personalização invasiva ou uma interface mais complexa podem corroer exatamente aquilo que a tecnologia deveria fortalecer.
A discussão, portanto, não deveria ser somente:
“Como usar IA no marketing?”
Uma pergunta mais estratégica seria:
“Como usar IA para entregar melhor a promessa da nossa marca?”
O próprio BrandZ global de 2026 reforça a importância dessa mudança. Segundo a Kantar, experiências moldadas por IA estão alterando como consumidores descobrem, escolhem e permanecem leais às marcas. A companhia afirma que a IA tornou ainda mais importante a capacidade de uma marca ser significativa e diferente.
Na Amper, já discutimos como a inteligência artificial está transformando produção, decisão e escala no marketing digital. Leia também: como a inteligência artificial está transformando o marketing digital
O BrandZ acrescenta uma camada importante a essa discussão: eficiência tecnológica pode gerar vantagem, mas o verdadeiro valor aparece quando essa eficiência é percebida pelo público como uma experiência melhor e uma marca mais relevante.
Nubank: como uma marca relativamente jovem chegou tão perto da liderança
Se a permanência do Itaú no topo impressiona, o avanço do Nubank talvez seja a movimentação mais significativa do ranking.
A marca aparece na segunda posição, avaliada em US$ 12,024 bilhões, após crescer 162% em relação a 2024 e ganhar três posições.
A distância para o Itaú agora é de pouco mais de US$ 1,2 bilhão.
Para uma marca fundada em 2013 competir em valor com uma instituição criada em um sistema bancário consolidado ao longo de décadas é um caso particularmente útil para estudar construção de marca.
O Nubank nasceu com uma proposta fácil de compreender. Questionou atritos históricos da categoria bancária e construiu uma identidade reconhecível em torno de simplicidade, experiência digital e ruptura com convenções do setor.
Com o amadurecimento do negócio, entretanto, o desafio mudou.
A questão deixou de ser somente adquirir clientes para um cartão ou conta digital. Passou a ser expandir significado sem diluir identidade.
De acordo com as informações divulgadas sobre o ranking, o Nubank avançou em serviços premium, entrou em telecomunicações por meio do NuCel e ampliou iniciativas de marketing ligadas a cultura e entretenimento.
Existe aqui um aprendizado importante para CMOs.
Uma marca forte pode funcionar como plataforma para a expansão do negócio.
Quando existe confiança, reconhecimento e diferenciação suficientemente consolidados, a empresa não precisa reconstruir sua relação com o consumidor a cada lançamento.
Parte desse capital simbólico acompanha a marca. É o que torna brand equity tão estratégico.
Itaú versus Nubank: tradição e disrupção podem criar marcas igualmente fortes
Colocar Itaú e Nubank lado a lado revela algo ainda mais interessante.
Não existe uma única fórmula para construir uma marca de alto valor.
O Itaú carrega história, escala, distribuição, reconhecimento e décadas de relacionamento.
O Nubank carrega ruptura, uma origem digital e códigos próprios que ajudaram a desafiar expectativas estabelecidas pela categoria. Um não precisou se transformar no outro. Essa talvez seja justamente a lição.
Diferenciação relevante não nasce de copiar o concorrente que está crescendo. Nasce de compreender qual espaço sua marca pode ocupar de forma legítima e defensável.
Quando empresas perseguem tendências sem um posicionamento claro, suas marcas começam a convergir.
Todos falam de inovação.
Todos prometem proximidade.
Todos querem ser simples.
Todos adotam a linguagem cultural do momento.
O problema é que, se todas as marcas parecem modernas da mesma maneira, “ser moderno” deixa de diferenciar qualquer uma delas.
Branding estratégico exige escolhas.
Em quais atributos queremos liderar?
Que associações queremos construir?
Que público queremos priorizar?
Que comportamentos nunca combinariam conosco?
Qual promessa somos capazes de sustentar operacionalmente?
A consistência dessas respostas cria os códigos que permitem ao consumidor identificar uma marca mesmo quando o logo não está presente.
Claro e Vivo mostram que categorias maduras ainda podem gerar valor de marca
O setor de telecomunicações também teve presença importante no ranking de 2026. A Claro subiu para a terceira posição, com US$ 7,421 bilhões, crescimento de 30%. A Vivo chegou à quinta posição, avaliada em US$ 5,710 bilhões, após crescer 71% em valor de marca.
São números importantes porque telecomunicações não é exatamente uma categoria nova ou caracterizada por baixíssima competição. Pelo contrário.
É um mercado em que cobertura, preço, qualidade percebida de serviço, atendimento, tecnologia e experiência digital competem constantemente pela atenção do consumidor.
Por isso, o desempenho das duas marcas ajuda a desmontar outra ideia recorrente:
“Nosso produto virou commodity. Branding não faz tanta diferença.”
É justamente em categorias de baixa diferenciação funcional percebida que marca pode se tornar um dos principais mecanismos de diferenciação.
Quando ofertas parecem equivalentes, entram em cena familiaridade, confiança, disponibilidade mental, reputação, experiência anterior e associações emocionais. Isso não elimina a importância de produto ou preço. Mas impede que preço seja a única variável disponível.
Ranking das 50 marcas mais valiosas do Brasil em 2026
O Kantar BrandZ Brasil 2026 mostra um mercado de marcas em forte valorização. Juntas, as 50 marcas brasileiras mais valiosas alcançam US$ 101,1 bilhões, avanço de 22% sobre os US$ 82,8 bilhões registrados em 2024.
O Itaú mantém a liderança, avaliado em US$ 13,244 bilhões, seguido de perto pelo Nubank, com US$ 12,024 bilhões. Claro, Brahma e Vivo completam as cinco primeiras posições.
O ranking também apresenta seis estreantes: iFood, Smart Fit, Inter, Stone, Mateus e Vivara. Os valores abaixo estão expressos em US$ milhões.
Posição | Marca | Valor da marca (US$ mi) | Variação em 2 anos | Mudança no ranking |
1 | Itaú | 13.244 | +79% | 0 |
2 | Nubank | 12.024 | +162% | +3 |
3 | Claro | 7.421 | +30% | +1 |
4 | Brahma | 6.635 | 0% | -2 |
5 | Vivo | 5.710 | +71% | +2 |
6 | Bradesco | 5.121 | +18% | 0 |
7 | Skol | 4.998 | -15% | -4 |
8 | Petrobras | 3.616 | +34% | +1 |
9 | Localiza | 3.214 | +5% | -1 |
10 | Antarctica | 2.514 | +2% | 0 |
11 | iFood | 2.245 | Estreante | Estreante |
12 | Caixa | 1.745 | +45% | +10 |
13 | SulAmérica | 1.738 | +40% | +6 |
14 | Globo | 1.717 | +1% | -1 |
15 | Gol | 1.700 | +14% | +2 |
16 | Azul | 1.698 | +7% | 0 |
17 | Totvs | 1.539 | +11% | +1 |
18 | Porto Seguro | 1.440 | +108% | +18 |
19 | Banco do Brasil | 1.390 | -15% | -4 |
20 | Original | 1.301 | +20% | +4 |
21 | Natura | 1.252 | -28% | -9 |
22 | Ipiranga | 1.203 | +48% | +10 |
23 | Sadia | 1.131 | +11% | +5 |
24 | Rede | 1.125 | +9% | +3 |
25 | Seara | 1.125 | +25% | +6 |
26 | Assaí | 975 | -3% | +3 |
27 | Drogasil | 931 | -24% | -7 |
28 | Embratel | 898 | +25% | +6 |
29 | Droga Raia | 866 | -25% | -6 |
30 | Movida | 795 | +6% | +3 |
31 | Magazine Luiza | 773 | -54% | -17 |
32 | Havaianas | 768 | +8% | +3 |
33 | Smart Fit | 760 | Estreante | Estreante |
34 | Unidas | 719 | -40% | -13 |
35 | Renner | 711 | -26% | -5 |
36 | Oi | 657 | -38% | -11 |
37 | Inter | 555 | Estreante | Estreante |
38 | 3 Corações | 533 | +26% | +3 |
39 | Pilão | 466 | +30% | +8 |
40 | Stone | 451 | Estreante | Estreante |
41 | Kaiser | 435 | -33% | -4 |
42 | Quero | 410 | -17% | -4 |
43 | Leão | 402 | +7% | +1 |
44 | Casas Bahia | 353 | -16% | -2 |
45 | Mateus | 342 | Estreante | Estreante |
46 | Vivara | 315 | Estreante | Estreante |
47 | PagBank | 314 | -12% | -1 |
48 | C6 Bank | 299 | -5% | +1 |
49 | Schin | 290 | -36% | -9 |
50 | Consul | 279 | -10% | 0 |
Fonte: Kantar BrandZ Brasil 2026.
O que o Top 50 revela sobre o valor das marcas brasileiras?
Olhar para as 50 posições, e não apenas para o Top 10, torna algumas movimentações particularmente relevantes para quem trabalha com estratégia de marca.
O crescimento não está concentrado apenas nas líderes. A Porto Seguro, por exemplo, avançou 108% em valor de marca e saltou 18 posições, chegando ao 18º lugar. A Caixa cresceu 45% e ganhou dez posições, enquanto a Ipiranga avançou 48% e também subiu dez lugares.
Entre as marcas já estabelecidas, também existem movimentos negativos significativos. Magazine Luiza apresentou redução de 54% no valor de marca e caiu 17 posições. Unidas recuou 40%, Oi caiu 38%, Kaiser perdeu 33% e Natura apresentou retração de 28%.
Ao mesmo tempo, novas marcas conseguiram entrar diretamente em posições competitivas. O caso mais expressivo é o iFood, que estreia na 11ª posição com valor de marca de US$ 2,245 bilhões. Smart Fit aparece em 33º, Inter em 37º, Stone em 40º, Mateus em 45º e Vivara em 46º.
O retrato reforça uma conclusão importante: brand equity não é um patrimônio estático. Marcas históricas podem perder relevância enquanto empresas mais jovens conquistam rapidamente significado, diferenciação e disponibilidade mental. O desafio de branding, portanto, não termina quando uma empresa alcança reconhecimento. Ele passa a ser o de renovar continuamente sua relevância sem perder os ativos que a tornam reconhecível.
Quanto valem juntas as 50 marcas mais valiosas do Brasil?
As 50 marcas mais valiosas do Brasil somam US$ 101,1 bilhões em 2026, segundo o Kantar BrandZ. O resultado representa crescimento de 22% em comparação aos US$ 82,8 bilhões registrados na edição de 2024.
Para a Kantar, o movimento mostra que crescimento de negócio e fortalecimento de brand equity podem caminhar juntos. A metodologia BrandZ combina indicadores financeiros com milhões de avaliações de consumidores para identificar quanto do valor econômico de uma companhia pode ser atribuído à força de sua marca.
Isso ajuda a explicar por que rankings como esse vão além de uma lista de empresas famosas. Eles procuram medir a capacidade da marca de contribuir efetivamente para o valor do negócio.
O ranking também mostra que notoriedade não garante crescimento
O Top 50 não é composto apenas por marcas em ascensão. A Skol, por exemplo, perdeu três posições e apresentou queda de 15% no valor de marca, embora continue entre as dez primeiras.
A Natura caiu 28%.
O Banco do Brasil recuou 15%.
Magazine Luiza apresentou queda de 54%.
Renner caiu 26%.
Essas variações não significam necessariamente que todas essas empresas estejam enfrentando problemas equivalentes. O cálculo de valor de marca envolve diferentes componentes e contextos de categoria.
Mas oferecem um alerta estratégico importante:
marca conhecida não é automaticamente marca em crescimento.
Conhecimento é apenas uma etapa. Uma empresa pode ser lembrada e, ainda assim, perder relevância. Pode ter identidade reconhecível e, ainda assim, reduzir diferenciação. Pode manter elevada notoriedade enquanto novos concorrentes capturam preferência.
Por isso, acompanhar apenas métricas de awareness pode oferecer uma visão incompleta da saúde da marca. É necessário entender também:
consideração;
preferência;
relevância;
diferenciação;
associações de marca;
poder de precificação;
intenção de escolha;
lealdade;
capacidade de gerar demanda futura.
Branding não deveria responder somente “quantas pessoas conhecem nossa marca?”.
Deveria responder também:
“Por que alguém escolheria nossa marca quando todas as alternativas estão disponíveis?”
Branding e geração de demanda não são estratégias opostas
Durante muitos anos, parte do mercado tratou branding e performance como dois extremos. Branding ficaria responsável pelo longo prazo. Performance, pelo resultado imediato.
Branding construiria percepção. Performance geraria conversão.
A realidade é mais integrada. Uma marca forte aumenta a probabilidade de uma pessoa reconhecer um anúncio. Aumenta a possibilidade de ela clicar. Reduz a necessidade de explicar quem é a empresa em todas as peças.
Pode elevar busca espontânea.
Pode aumentar conversão direta.
Pode reduzir dependência de estímulos promocionais.
Pode ajudar uma empresa a ser incluída no conjunto inicial de marcas consideradas pelo comprador antes mesmo de uma campanha de aquisição aparecer.
A Kantar chama atenção para algo semelhante ao analisar o Demand Power, indicador relacionado à predisposição dos consumidores em escolher uma marca. Na análise do BrandZ Brasil 2024, as marcas mais valiosas apresentavam evolução desse indicador enquanto marcas de menor valor apresentavam deterioração.
Essa é uma distinção fundamental. Marketing não serve apenas para capturar demanda existente. Marketing também cria predisposição para a demanda futura. E marca é um dos principais ativos utilizados nesse processo.
Por que diferenciação volta ao centro da estratégia
Um conceito aparece repetidamente na metodologia do BrandZ: ser
Meaningfully Different.
Não basta ser diferente.
É necessário que a diferença importe.
Uma marca pode utilizar uma estética extremamente peculiar, criar campanhas ousadas ou desenvolver uma linguagem própria. Tudo isso pode gerar distinção.
Mas, se essa diferença não produzir algum tipo de valor para o consumidor, ela dificilmente se transforma em vantagem sustentável.
Da mesma forma, ser relevante sem diferenciação cria outro problema.
A empresa pode resolver perfeitamente uma necessidade, mas ser percebida como intercambiável.
Nesse cenário, qualquer concorrente capaz de entregar a mesma função por menos dinheiro pode ganhar preferência.
Branding procura construir exatamente a combinação entre essas duas dimensões:
“Isso é importante para mim” + “essa marca oferece algo que não encontro da mesma maneira nas demais.”
O trabalho da Amper em branding parte de uma lógica semelhante: construir plataformas de marca que integrem posicionamento, identidade, tom de voz, comportamento, pesquisa e diferentes pontos de contato, em vez de reduzir a construção de marca a campanhas isoladas. Conheça a abordagem de Branding da Amper
O que líderes de marketing podem aprender com o BrandZ 2026
O ranking oferece pelo menos cinco aprendizados práticos para empresas que não possuem bilhões de dólares em valor de marca.
1. Marca precisa estar conectada ao negócio
O caso do Itaú mostra que transformação operacional, novos serviços, produto digital e comunicação podem trabalhar juntos.
Branding desconectado da entrega vira promessa vazia.
Operação desconectada de marca vira eficiência que o consumidor talvez nunca perceba.
2. Crescimento exige relevância e diferenciação
A metodologia do BrandZ reforça algo que deveria fazer parte de qualquer planejamento estratégico: ser conhecido não é suficiente.
Sua marca precisa ocupar um espaço mental claro.
3. Experiência virou mídia
Aplicativos, atendimento, interfaces, embalagens, onboarding, checkout, lojas e ferramentas digitais também comunicam.
Cada interação ensina alguma coisa sobre a marca.
Em muitas categorias, o produto é o principal veículo de branding.
4. Tecnologia deve fortalecer a promessa da marca
Adotar IA porque “todo mundo está adotando” dificilmente constrói vantagem competitiva duradoura.
O valor aparece quando a tecnologia aumenta aquilo que a marca decidiu representar.
Rapidez.
Simplicidade.
Personalização.
Confiança.
Precisão.
Acesso.
Ou qualquer outro atributo estrategicamente escolhido.
5. Branding precisa ser medido como ativo de crescimento
Alcance e engajamento continuam úteis.
Mas empresas que desejam tratar marca como ativo precisam acompanhar indicadores mais próximos de preferência, diferenciação e geração de demanda.
O objetivo não é comprovar que uma campanha teve visibilidade.
É entender se a marca ficou mais propensa a ser escolhida.
A ascensão das buscas por IA cria uma nova camada para o valor das marcas
Existe ainda uma dimensão que rankings futuros provavelmente tornarão cada vez mais importante. Consumidores já não descobrem marcas apenas por televisão, mídia, redes sociais, varejo ou Google.
Também perguntam diretamente a sistemas de inteligência artificial:
“Qual banco é melhor para empresas?”
“Qual operadora tem o melhor serviço?”
“Quais são as marcas brasileiras mais confiáveis?”
“Que empresa devo contratar para desenvolver meu branding?”
Nesse ambiente, disponibilidade mental humana começa a conviver com uma nova forma de disponibilidade: a capacidade de uma marca ser compreendida, reconhecida e mencionada por sistemas de IA.
Isso não significa abandonar SEO. Significa ampliar a estratégia.
Conteúdos bem estruturados, afirmações verificáveis, fontes confiáveis, autoria clara, dados originais, especialização e presença consistente em diferentes fontes aumentam a capacidade de uma organização participar do ecossistema de informações utilizado pelas ferramentas generativas.
Essa disciplina vem sendo chamada de GEO, Generative Engine Optimization.
Na Amper, já abordamos como preparar conteúdos para ganhar relevância nas respostas produzidas por IA. Leia: GEO — como preparar seu conteúdo para se destacar nas respostas de IA
Há uma conexão interessante com o próprio conceito de branding. No passado, marcas lutavam para entrar na memória das pessoas. Agora, também precisam garantir que sua identidade, expertise e proposta estejam claramente representadas na camada de informação da internet que alimenta sistemas de descoberta e recomendação.
Em outras palavras: a batalha por saliência ganhou novos intermediários.
Afinal, o que faz uma marca se tornar valiosa?
Não existe uma única variável. Mas o BrandZ 2026 sugere uma combinação recorrente:
marcas valiosas ocupam um espaço claro na mente das pessoas, são percebidas como relevantes, possuem algum diferencial reconhecível e transformam essa posição em preferência e resultado econômico.
Tecnologia pode acelerar esse processo.
Comunicação pode amplificá-lo.
Design pode torná-lo reconhecível.
Produto pode comprová-lo.
Experiência pode reforçá-lo.
Cultura pode aprofundá-lo.
Mas nenhum desses elementos funciona por muito tempo de maneira isolada.
Por isso, talvez o principal aprendizado deixado pelo ranking das marcas mais valiosas do Brasil em 2026 não esteja no fato de o Itaú valer US$ 13,2 bilhões.
Está no motivo pelo qual algumas empresas conseguem fazer sua marca representar uma parcela tão relevante do valor do próprio negócio.
Branding não é o que uma empresa diz sobre si mesma.
É o sistema de significados, experiências e expectativas que torna essa empresa mais provável de ser lembrada, considerada e escolhida.
E, em mercados cada vez mais saturados — por produtos, mensagens, plataformas e agora também por conteúdo gerado por IA — essa capacidade tende a ficar ainda mais valiosa.
Perguntas frequentes sobre as marcas mais valiosas do Brasil em 2026
Qual é a marca mais valiosa do Brasil em 2026?
O Itaú é a marca brasileira mais valiosa de 2026 segundo o Kantar BrandZ, com valor estimado em US$ 13,244 bilhões. O banco também liderava a edição de 2024.
Qual é a segunda marca mais valiosa do Brasil?
O Nubank ocupa a segunda posição do Kantar BrandZ Brasil 2026, avaliado em US$ 12,024 bilhões. Seu valor de marca cresceu 162% em comparação com 2024.
Quais são as três marcas mais valiosas do Brasil em 2026?
As três primeiras são Itaú, Nubank e Claro, avaliadas respectivamente em US$ 13,244 bilhões, US$ 12,024 bilhões e US$ 7,421 bilhões.
O que é o Kantar BrandZ?
O Kantar BrandZ é uma metodologia de avaliação de marcas que combina informações financeiras com pesquisas de consumidores para estimar quanto do valor de uma empresa pode ser atribuído à força de sua marca. Entre seus conceitos centrais está o framework Meaningful, Different and Salient.
Por que uma marca forte vale dinheiro?
Porque uma marca forte pode aumentar predisposição à escolha, diferenciação, preferência, confiança e demanda. Esses fatores influenciam a capacidade de uma companhia conquistar e manter clientes e transformar percepção em resultado econômico.




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