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Comunicação e Marketing Inteligentes para Negócios na América Latina

Marketing farmacêutico: como equilibrar criatividade, performance e as particularidades do setor de saúde

há 3 minutos
13 min de leitura

Mulher de óculos, de blazer, segura notebook num escritório envidraçado com gráficos, frascos e skyline urbano.

Uma campanha pode ser criativamente brilhante e ainda assim não funcionar.

Pode gerar cliques, alcance e tráfego e, mesmo assim, não construir confiança.

Pode cumprir todas as regras regulatórias e, ainda assim, ser tão burocrática que ninguém se lembre dela.


Esse é um dos grandes desafios do marketing farmacêutico: criatividade, performance e responsabilidade não podem funcionar como disciplinas independentes. Elas precisam coexistir.


Em outros mercados, uma campanha pouco precisa pode gerar uma percepção equivocada sobre uma característica de produto. Na saúde, uma comunicação inadequada pode interferir na compreensão de sintomas, tratamentos, prevenção ou decisões relacionadas ao cuidado.


Por isso, medicamentos não podem ser tratados simplesmente como bens de consumo convencionais. A própria Anvisa ressalta que medicamentos são bens de saúde e, justamente por isso, sua publicidade está sujeita a regras específicas.


Ao mesmo tempo, isso não significa que o marketing farmacêutico precise ser frio, excessivamente técnico ou pouco criativo. Pelo contrário, as marcas que conseguirem transformar complexidade científica em comunicação clara, relevante e memorável terão mais condições de construir relacionamentos duradouros com profissionais de saúde, pacientes, cuidadores, distribuidores e outros públicos do ecossistema.


A pergunta, portanto, não é se uma empresa farmacêutica deve escolher entre criatividade, compliance ou performance. A pergunta correta é: como fazer essas três dimensões trabalharem juntas?



O que é marketing farmacêutico?


Marketing farmacêutico é o conjunto de estratégias de posicionamento, comunicação, relacionamento, conteúdo, mídia e geração de demanda aplicado a medicamentos, marcas farmacêuticas e empresas do setor.


Sua principal diferença em relação ao marketing de categorias convencionais está no contexto em que a comunicação acontece.


Uma indústria farmacêutica pode precisar se relacionar simultaneamente com:


  • médicos;

  • farmacêuticos;

  • outros profissionais de saúde;

  • pacientes;

  • cuidadores;

  • distribuidores;

  • redes de farmácia;

  • hospitais e instituições;

  • sociedades médicas;

  • parceiros comerciais;

  • formadores de opinião;

  • colaboradores;

  • órgãos e agentes do ecossistema de saúde.


Cada público possui necessidades, repertório, nível de conhecimento e limites de comunicação diferentes. Mais importante: nem tudo que uma marca pode comunicar para um profissional de saúde pode ser comunicado da mesma maneira ao consumidor final.


No Brasil, por exemplo, a Anvisa estabelece que medicamentos de venda sob prescrição não podem ser anunciados ao público geral. Sua publicidade é direcionada aos profissionais habilitados a prescrever ou dispensar esses produtos. Já medicamentos isentos de prescrição podem ser anunciados ao consumidor, desde que sejam observados os requisitos aplicáveis à categoria.

Essa distinção muda completamente o planejamento de marketing.


Antes de escolher um conceito criativo, um influenciador, uma rede social ou um formato de mídia, é necessário responder: quem pode receber essa mensagem, em qual contexto e com qual objetivo?



Marketing farmacêutico exige equilíbrio, não moderação criativa


Existe uma interpretação equivocada comum no mercado: quanto mais regulado é um setor, menos espaço existe para criatividade. Não necessariamente. O que muda é o território em que a criatividade pode operar.


Uma boa ideia no marketing farmacêutico não é aquela que encontra maneiras de contornar uma restrição. É aquela que consegue produzir significado dentro dos limites científicos, éticos e regulatórios do projeto.


Isso exige um processo criativo mais sofisticado. Em vez de partir apenas de uma promessa publicitária, a equipe precisa considerar:


  • evidências disponíveis;

  • indicação aprovada;

  • público da comunicação;

  • jornada do paciente;

  • jornada do profissional de saúde;

  • contexto cultural;

  • linguagem;

  • canal;

  • possíveis interpretações da mensagem;

  • requisitos legais e regulatórios.


A criatividade deixa de ser apenas a busca por uma frase impactante.

Ela passa a ser a capacidade de tornar algo complexo compreensível, relevante e memorável sem distorcer aquilo que precisa ser dito.



Os três pilares de uma estratégia de marketing farmacêutico


Uma forma prática de pensar o desafio é dividir a estratégia em três dimensões.


Criatividade responde:

Como fazer a mensagem ser percebida, compreendida e lembrada?


Performance responde:

Como fazer a comunicação alcançar as pessoas certas, gerar comportamento mensurável e contribuir para os objetivos do negócio?


Responsabilidade científica e regulatória responde:

O que pode ser dito, para quem, com quais evidências e dentro de quais limites?


O problema aparece quando uma dessas dimensões domina completamente as outras. Criatividade sem rigor pode gerar risco. Compliance sem criatividade pode gerar invisibilidade. Performance sem estratégia pode gerar métricas sem impacto real.


O marketing farmacêutico mais consistente acontece exatamente na interseção entre esses três territórios.



1. Criatividade em saúde começa pela compreensão, não pelo impacto


Imagine duas campanhas.


A primeira utiliza uma linguagem extremamente técnica, reproduz conceitos científicos com precisão e passa por todas as aprovações internas. Mas poucas pessoas conseguem entender sua mensagem.


A segunda simplifica radicalmente o conteúdo, gera atenção e compartilhamentos, porém elimina nuances importantes e produz uma interpretação exagerada sobre o benefício apresentado.


Nenhuma das duas chegou ao melhor resultado.


No marketing farmacêutico, criatividade também significa design de compreensão. É transformar evidência em narrativa. Dado em significado. Complexidade em clareza. Informação em algo que possa ser absorvido por diferentes públicos sem perder precisão.


Isso pode acontecer por meio de storytelling, metáforas visuais, campanhas educativas, conteúdos digitais, vídeos, experiências interativas, jornadas de conteúdo e diferentes formatos de comunicação.


Mas existe uma regra central:

a ideia criativa não pode alterar a natureza da informação que está comunicando.


A RDC 96/2008 determina, entre outros pontos, que a publicidade de medicamentos não utilize elementos capazes de tornar uma informação falsa, incorreta ou suscetível a interpretações equivocadas sobre aspectos do produto. Comparações entre medicamentos também possuem exigências específicas de fundamentação científica.


Ou seja: quanto mais forte for uma afirmação, mais importante será compreender qual evidência a sustenta.



Criatividade não é sinônimo de exagero


Durante décadas, parte da publicidade construiu impacto por meio de superlativos.


“O melhor.”

“O mais rápido.”

“O único.”

“O revolucionário.”


No marketing farmacêutico, esse impulso precisa ser tratado com cuidado.

Uma campanha pode ser altamente criativa sem recorrer a promessas absolutas. O território criativo pode estar:


  • na maneira como uma jornada é representada;

  • na humanização de uma situação;

  • na construção de uma identidade visual proprietária;

  • em uma analogia que facilite a compreensão;

  • em uma experiência digital;

  • na transformação de dados em histórias;

  • na criação de uma plataforma de conteúdo;

  • em uma iniciativa de educação;

  • na identificação de uma tensão real do público.


Isso também significa que o briefing criativo precisa ser melhor. Em vez de simplesmente solicitar “uma campanha impactante”, uma empresa pode começar com perguntas mais úteis:


Qual comportamento queremos estimular?

Qual barreira precisamos reduzir?

Que informação ainda não está sendo compreendida?

O que profissionais ou pacientes precisam entender melhor?

Que papel nossa marca pode desempenhar nessa conversa?


A criatividade melhora quando o problema melhora.



2. Performance no marketing farmacêutico vai além do clique


Performance costuma trazer uma vantagem para o marketing: disciplina. Quando uma estratégia possui objetivos claros, é possível acompanhar resultados, testar hipóteses, identificar gargalos e ajustar investimentos. O risco está em confundir aquilo que é fácil de medir com aquilo que realmente importa.


CTR, CPC, CPM, visualizações, alcance e engajamento podem oferecer sinais importantes sobre o desempenho de uma campanha. Mas raramente contam a história inteira.


Uma estratégia de marketing farmacêutico pode ter objetivos muito diferentes. Uma campanha pode buscar:


  • aumentar conhecimento sobre determinada condição;

  • ampliar awareness de marca;

  • alcançar profissionais de uma especialidade;

  • gerar visitas qualificadas a uma plataforma;

  • aumentar consumo de conteúdo científico;

  • estimular cadastro em uma iniciativa educacional;

  • melhorar relacionamento com determinado público;

  • aumentar participação em eventos;

  • apoiar uma estratégia comercial;

  • gerar demanda dentro dos limites aplicáveis à categoria.


Cada objetivo exige indicadores diferentes.


Por isso, a pergunta não deveria ser apenas:

“Qual foi o CPC?”


Ela deveria ser:

“Qual comportamento estamos tentando produzir e qual evidência mostrará que estamos avançando?”



Métricas precisam acompanhar a jornada


Um modelo simples é separar os indicadores em diferentes níveis.


Exposição


Mostra se a mensagem está chegando ao público.

Exemplos:

  • alcance;

  • impressões;

  • frequência;

  • cobertura;

  • visualizações.


Atenção e interesse


Mostra se a comunicação despertou interesse suficiente para alguma interação.

Exemplos:

  • taxa de visualização;

  • tempo de consumo;

  • CTR;

  • engajamento;

  • visitas ao site;

  • profundidade de navegação.


Ação


Mostra se houve algum comportamento desejado.

Exemplos:

  • cadastro;

  • download;

  • inscrição;

  • participação;

  • acesso a determinada área;

  • contato;

  • outra conversão definida para a jornada.


Resultado de negócio


Procura conectar o marketing a indicadores estratégicos mais amplos.

É aqui que o trabalho fica mais complexo. Correlação não é causalidade.


Nem todo crescimento posterior a uma campanha foi provocado pela campanha.

Por isso, sempre que possível, empresas precisam evoluir de dashboards de mídia para modelos de mensuração capazes de trabalhar com testes, comparação entre períodos, grupos, mercados, regiões, canais e outras metodologias adequadas ao contexto.



Performance não significa perseguir pessoas


Há ainda um elemento especialmente importante no setor de saúde: dados.

A LGPD classifica informações referentes à saúde como dados pessoais sensíveis, que recebem proteção específica.


Isso significa que estratégias de segmentação, CRM, mídia, formulários, automação, analytics e personalização precisam ser desenhadas levando privacidade e governança de dados em consideração desde o início.

O raciocínio “se consigo segmentar, então devo segmentar” não é suficiente.


Em saúde, a pergunta precisa ser mais ampla:

Temos base adequada para coletar, utilizar e ativar esse dado dessa maneira?


É mais uma razão para integrar marketing, tecnologia, jurídico, privacidade e compliance em determinadas iniciativas.



3. As particularidades regulatórias precisam entrar antes da criação


Um dos erros mais caros em uma operação de marketing farmacêutico é tratar compliance como uma etapa final.


A agência cria.

O cliente aprova conceitualmente.

A produção avança.

E só depois a peça chega à área médica, jurídica ou regulatória.

Quando isso acontece, surgem alterações estruturais.

Claims precisam ser removidos.

Textos precisam mudar.

Imagens deixam de funcionar.

O conceito perde sentido.

Peças precisam ser refeitas.

O cronograma estoura.


E nasce a impressão de que “compliance mata a criatividade”.


Na realidade, muitas vezes o problema começou antes: as restrições não fizeram parte do briefing.


Uma operação mais madura trabalha de outra maneira. Marketing, criação, estratégia e áreas responsáveis por revisão precisam compreender desde cedo:


  • categoria do produto;

  • público;

  • indicações;

  • claims possíveis;

  • fontes de evidência;

  • informações obrigatórias;

  • restrições;

  • canais pretendidos;

  • possíveis riscos de interpretação.


Assim, compliance deixa de ser uma barreira colocada no final do processo e passa a funcionar como uma das premissas do projeto.



A regulação também está mudando com o ambiente digital


Esse ponto merece atenção especial em 2026. Em agosto de 2026, a Anvisa aprovou a abertura de processos para revisar as normas relacionadas à propaganda de alimentos e medicamentos. Ao anunciar a iniciativa, a Agência destacou mudanças ocorridas desde a criação das normas atuais, como expansão do comércio eletrônico, redes sociais, marketing de influenciadores e marketplaces.


Isso não significa que a RDC 96/2008 tenha simplesmente deixado de valer.

Significa que o próprio ambiente regulatório reconhece uma transformação evidente: a comunicação digital criou formatos, agentes e jornadas que não existiam da mesma maneira quando muitas regras foram concebidas.

Para gestores de marketing, a consequência é clara.


Compliance não pode ser tratado como um documento estático consultado uma vez por ano. É necessário acompanhar alterações regulatórias e validar as regras aplicáveis a cada iniciativa, principalmente em projetos envolvendo novas plataformas, creators, comércio eletrônico, inteligência artificial e outras formas emergentes de comunicação.



O desafio dos influenciadores no marketing de saúde


Influenciadores trouxeram para as marcas algo extremamente valioso: acesso a comunidades. Mas, em saúde, alcance e confiança também ampliam responsabilidade. Uma indicação feita por alguém com grande audiência pode parecer apenas uma recomendação informal, mesmo quando integra uma iniciativa comercial. E o fato de determinado conteúdo circular organicamente em uma rede social não elimina as regras aplicáveis à publicidade do produto.


Em 2026, a própria Anvisa publicou orientações alertando consumidores sobre recomendações de medicamentos e suplementos em redes sociais, inclusive no contexto de influenciadores e conteúdos que podem levar a interpretações inadequadas.


Por isso, creator marketing em saúde precisa começar por perguntas anteriores ao tamanho da audiência:


  • O que pode ser comunicado?

  • Qual é a categoria do produto?

  • Quem é o público?

  • Qual é o papel desse criador?

  • Como ficará clara a natureza da comunicação?

  • Qual orientação será fornecida?

  • Como ocorrerão revisão e aprovação?

  • Que riscos de interpretação existem?



Branding e performance não são lados opostos


Outra falsa dicotomia comum aparece entre construção de marca e geração de resultado.


“Queremos branding ou performance?”


Para marcas farmacêuticas, essa pergunta pode ser especialmente limitada. Uma campanha pode levar uma pessoa até uma página. Mas confiança influencia se ela permanece. Mídia pode gerar alcance. Mas reconhecimento e familiaridade alteram a maneira como a mensagem é recebida. Conteúdo pode explicar um tema. Mas autoridade influencia sua credibilidade. Marca e performance participam da mesma jornada.


Branding reduz incerteza. Performance transforma intenção em comportamento mensurável.


Uma estratégia madura precisa compreender onde cada disciplina participa do processo.



Como construir uma estratégia de marketing farmacêutico integrada


Na prática, é possível organizar o planejamento em sete etapas.


1. Comece pelo problema de negócio


Antes de discutir formatos, responda:

O que precisa mudar?


Não “precisamos de uma campanha”.

Não “precisamos estar no Instagram”.

Não “precisamos de mídia”.

Qual é o problema?

Baixo reconhecimento?

Dificuldade de compreensão?

Entrada em uma nova região?

Relacionamento insuficiente com determinada audiência?

Reposicionamento?

Necessidade de educação?

Uma boa estratégia começa pela definição do problema, não pela escolha do canal.



2. Defina os públicos e os limites de comunicação


No mercado farmacêutico, segmentação também é uma questão regulatória.

Mapeie claramente:


  • quem precisa receber a mensagem;

  • quem pode receber a mensagem;

  • que informação é relevante;

  • em qual momento;

  • em quais canais.


É uma etapa essencial porque a mesma estratégia dificilmente servirá, sem adaptações, para profissionais de saúde, pacientes, consumidores, cuidadores e parceiros comerciais.



3. Construa uma arquitetura de mensagens


Em vez de começar pelo slogan, comece pelas evidências. Organize:


Mensagem central

O que queremos que o público compreenda?


Provas

Quais informações sustentam essa mensagem?


Hierarquia

O que precisa ser entendido primeiro?


Apoio

Que conteúdo complementar é necessário?


Limites

O que não devemos afirmar ou sugerir?


Essa arquitetura se torna a matéria-prima da criação.



4. Transforme a estratégia em uma plataforma criativa


Uma boa campanha não deveria depender de uma única peça. O conceito precisa funcionar como um sistema. Ele deve ser capaz de gerar:


  • conteúdo;

  • vídeo;

  • peças digitais;

  • mídia;

  • materiais para diferentes momentos da jornada;

  • ativações;

  • experiências;

  • comunicação para públicos distintos, quando aplicável.


Isso aumenta consistência e eficiência de produção.



5. Planeje mídia de acordo com a jornada


Canal não é estratégia. Google, Meta, LinkedIn, mídia programática, portais, plataformas especializadas, mídia offline, eventos e outros ambientes podem cumprir funções diferentes. A escolha deve considerar:


  • audiência;

  • contexto;

  • objetivo;

  • estágio da jornada;

  • regras aplicáveis;

  • capacidade de mensuração.


Performance começa antes da compra de mídia.



6. Desenhe a mensuração antes da campanha entrar no ar


Se uma equipe só começa a pensar em KPIs depois do lançamento, provavelmente medirá aquilo que a plataforma oferece — não necessariamente aquilo que o negócio precisa. Antes da campanha, estabeleça:


  • objetivo;

  • indicador principal;

  • indicadores secundários;

  • hipótese;

  • fonte de dados;

  • frequência de análise;

  • critério de sucesso;

  • possibilidades de otimização.



7. Crie uma governança de aprendizado


Campanhas não deveriam terminar quando a mídia sai do ar. Elas deveriam produzir inteligência. Documente:


  • quais mensagens performaram melhor;

  • quais públicos responderam;

  • quais formatos funcionaram;

  • quais barreiras surgiram;

  • quais perguntas apareceram;

  • quais hipóteses foram confirmadas;

  • o que precisa ser testado na próxima iniciativa.


Assim, o marketing deixa de operar campanha por campanha e começa a construir um sistema de conhecimento acumulado.



Inteligência artificial no marketing farmacêutico: eficiência exige governança


A IA generativa abre possibilidades importantes para marketing.


Pesquisa.

Organização de informações.

Ideação.

Variações criativas.

Análise.

Produção de versões.

Personalização.

Automação.


Mas, no setor farmacêutico, acelerar a produção não pode significar reduzir a revisão.cModelos de IA podem gerar afirmações imprecisas, perder contexto ou apresentar informações sem a evidência necessária. Por isso, quanto maior o uso de IA em processos relacionados a conteúdos de saúde, mais importante se torna definir:


  • quais tarefas podem utilizar IA;

  • quais dados podem ser processados;

  • onde revisão humana é obrigatória;

  • quem valida informações científicas;

  • como fontes são verificadas;

  • quais conteúdos exigem aprovação regulatória.


A inteligência artificial pode tornar o processo mais eficiente. A responsabilidade pela comunicação continua sendo humana.



O que avaliar em uma agência de marketing farmacêutico?


A escolha de uma agência para esse setor não deveria se limitar ao portfólio visual.

Campanhas bonitas são importantes. Mas é necessário entender como o parceiro pensa. Alguns critérios ajudam nessa avaliação:


Capacidade estratégica

A agência consegue compreender o problema de negócio antes de propor peças?


Repertório criativo

Consegue produzir ideias relevantes sem depender de exageros ou fórmulas genéricas?


Conhecimento de healthcare

Entende diferenças entre públicos, produtos e contextos da saúde?


Processo de compliance

Sabe trabalhar integrado a áreas médicas, jurídicas e regulatórias?


Mídia e performance

Consegue transformar estratégia em distribuição e mensuração?


Dados

Existe capacidade analítica para interpretar resultados e gerar aprendizado?


Estrutura de atendimento

Quem realmente estará envolvido no projeto depois da concorrência?


Transparência

Escopo, investimento, entregáveis e responsabilidades estão claros?


Essa combinação importa porque o marketing farmacêutico dificilmente funciona bem quando estratégia, criatividade, mídia e compliance operam em silos.



Marketing farmacêutico exige especialização, mas também repertório de consumo


Existe ainda uma aparente contradição interessante. Uma agência precisa conhecer profundamente o setor de saúde. Mas não deveria enxergar saúde apenas de dentro da própria categoria. Pacientes também são consumidores.


Médicos também consomem mídia, tecnologia, cultura e entretenimento. Farmacêuticos também vivem experiências com centenas de outras marcas. O padrão de qualidade da comunicação não é definido apenas pelos concorrentes farmacêuticos. É influenciado por todas as experiências digitais e de marca que as pessoas vivem diariamente. Por isso, uma boa operação de marketing farmacêutico combina dois repertórios: profundidade em healthcare e visão ampla de comunicação.


Especialização sem repertório pode produzir comunicação previsível. Repertório sem especialização pode produzir comunicação inadequada. A força está na união dos dois.



Como a Amper trabalha esse equilíbrio


Na Amper, essa visão está presente na Amper Health, núcleo dedicado ao segmento de healthcare. A proposta é integrar estratégia, criatividade, conteúdo, ciência de dados, mídia e tecnologia às particularidades do setor de saúde, trabalhando com uma visão multidisciplinar.


Isso permite enfrentar um desafio recorrente das empresas farmacêuticas: evitar que cada etapa da comunicação aconteça isoladamente.


Estratégia de um lado.

Criação de outro.

Mídia depois.

Dados no final.

Compliance aparecendo apenas na aprovação.

Quando essas competências entram mais cedo na conversa, o trabalho tende a ganhar coerência.


Leia também: Comunicação e marketing para saúde: como construir marcas relevantes no healthcare. Acessar artigo da Amper


Para empresas avaliando parceiros, vale complementar a leitura com Agência de marketing digital para saúde: o que avaliar antes de contratar. Acessar guia da Amper



O melhor marketing farmacêutico não escolhe entre criatividade e responsabilidade


Durante muito tempo, algumas discussões sobre marketing trataram criatividade e performance como extremos. No setor farmacêutico, existe ainda um terceiro elemento nessa equação: responsabilidade. Mas não deveria existir uma disputa entre os três. Criatividade faz a mensagem ser percebida. Clareza faz a mensagem ser compreendida. Evidência torna a mensagem defensável. Compliance protege a comunicação e seus públicos. Mídia faz a mensagem chegar. Dados mostram o que aconteceu. Estratégia conecta todas essas partes a um objetivo de negócio. Esse é o ponto central.


Marketing farmacêutico não é marketing convencional com mais aprovações.


É uma disciplina que exige uma maneira própria de pensar comunicação.

Quando criatividade, ciência, performance e responsabilidade trabalham juntas, a marca deixa de apenas ocupar espaço. Ela constrói relevância. E, em um setor no qual confiança faz parte da relação entre empresas, profissionais e sociedade, relevância é um ativo que nenhuma campanha de curto prazo consegue substituir.



Perguntas frequentes sobre marketing farmacêutico


O que é marketing farmacêutico?

Marketing farmacêutico é o conjunto de estratégias de posicionamento, comunicação, relacionamento, conteúdo, mídia e geração de demanda aplicado a empresas, marcas e produtos do setor farmacêutico. A atividade precisa considerar as particularidades científicas, éticas, regulatórias e comerciais do mercado de saúde.


Medicamentos podem ser anunciados para o público geral?

Depende da categoria. Segundo a Anvisa, medicamentos isentos de prescrição podem ser anunciados ao público geral dentro das regras aplicáveis. Medicamentos sujeitos a prescrição possuem publicidade restrita aos públicos profissionais autorizados, conforme a regulamentação vigente.


Como ser criativo no marketing farmacêutico sem comprometer o compliance?

O processo criativo deve começar conhecendo público, evidências, claims possíveis, restrições e requisitos regulatórios. A criatividade pode aparecer na narrativa, design, experiência, linguagem e maneira de facilitar a compreensão, sem modificar ou exagerar a informação científica.


Como medir performance no marketing farmacêutico?

A mensuração depende do objetivo. É possível acompanhar indicadores de exposição, atenção, interação, conversão e resultado de negócio. O mais importante é definir a hipótese e os KPIs antes do lançamento da campanha, evitando avaliar sucesso apenas por métricas como alcance ou cliques.


Uma agência de marketing farmacêutico precisa ser especializada em saúde?

Conhecimento do setor ganha importância conforme aumentam a complexidade científica, regulatória e de públicos do projeto. Além de competências tradicionais de estratégia, criatividade e mídia, uma agência que trabalha com empresas farmacêuticas precisa saber operar processos de revisão, trabalhar com evidências e compreender os limites de comunicação aplicáveis ao contexto.

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