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Comunicação e Marketing Inteligentes para Negócios na América Latina

Os maiores absurdos que já vimos em processos de concorrência (e como evitar que isso vire rotina)

Se você lidera marketing, compras ou comunicação, você já percebeu: o processo de concorrência virou, muitas vezes, um teatro.


Um teatro caro.


Caro para a empresa (porque escolhe mal, retrabalha e paga “a conta invisível”).

Caro para as agências e fornecedores (porque investem horas e gente qualificada em um jogo com regras nebulosas).


E caro para a marca (porque a decisão errada vira campanha fraca, posicionamento confuso e performance abaixo do potencial).


Nos últimos anos, o mercado inteiro começou a formalizar o que antes era só reclamação de bastidor: pitchs e RFPs precisam ser mais transparentes, mais humanos e mais bem estruturados, e existem guias de boas práticas que sustentam isso, como as diretrizes conjuntas de ANA/4A’s e recomendações de associações globais como WFA/EACA e o guia WFA x VoxComm para seleção de agências. (Referências ao longo do texto) (Ana)


Mulher em escritório, sentada com tablet. Ao fundo, quadro branco com rabiscos e textos sobre critérios de avaliação. Emoção de concentração.



O que são “absurdos em processos de concorrência”?


São falhas de método e de governança (ou falta de ética operacional) em RFPs/pitches/concorrências que tornam a escolha de fornecedores injusta, ineficiente ou impossível de comparar. Em geral, envolvem: briefing frágil, critérios ocultos, prazos irreais, escopo inconsistente, “trabalho especulativo” sem remuneração, falta de feedback e decisões já tomadas antes do processo começar. (UAPR)



Por que isso acontece tanto?


Porque concorrência virou “processo” sem virar “sistema”.

Você tem:

  • Um documento (RFP) que parece completo, mas não permite decisão boa.

  • Um ritual (apresentações), mas sem critérios claros e comparáveis.

  • Um comitê que opina, mas não assume responsabilidades.

  • Um cronograma que atende o calendário interno, não a qualidade do trabalho.

E isso cria o cenário perfeito para o absurdo: muito esforço, pouca informação, decisão fraca.

A boa notícia: dá para corrigir.

A má notícia: corrigir exige coragem para abandonar “o jeito que sempre foi”.


Os maiores absurdos (com o que isso revela — e como corrigir)


Abaixo, uma lista que mistura situações comuns em concorrências de agência, marketing, branding, mídia, performance, produção e tecnologia.


A ideia não é “expor” ninguém. É criar um checklist do que NÃO repetir.



1) “Precisamos de uma ideia criativa genial… mas não podemos falar o objetivo”


O absurdo: a empresa exige conceito, campanha, estratégia e plano tático, mas não compartilha meta, funil, margem, desafios e contexto.

O que isso revela: medo de “vazar informação” + briefing fraco + falta de governança.


Como corrigir: briefing estratégico de verdade, com objetivo mensurável, problema específico, público e restrições claras. Se a preocupação for confidencialidade, use NDA e regras de propriedade intelectual (há boas práticas formais para isso). (4As)





2) “O prazo é amanhã porque o diretor quer ver na reunião”


O absurdo: concorrência com prazos irreais que impedem diagnóstico, pesquisa e pensamento.


O que isso revela: processo usado como “maquiagem de urgência”.


Como corrigir: estabeleça cronograma compatível com complexidade. Diretrizes do setor recomendam processos bem geridos, com participação ativa e alinhamento de expectativas desde o início. (UAPR)



3) “Manda uma proposta… mas sem falar o orçamento”


O absurdo: RFP pede plano completo, mídia, entregas, equipe e tecnologia, mas se recusa a informar budget (ou ao menos faixa).


O que isso revela: tentativa de “pescar preço” ou medo de encarecer.


Como corrigir: compartilhe faixa de investimento, prioridades e o que é flexível. Isso reduz propostas fora da realidade e melhora comparabilidade (inclusive em guias práticos de RFP). (Slam Media Lab)




4) “Queremos tudo: branding + performance + PR + evento + inbound + design + social… no mesmo pacote”


O absurdo: escopo Frankenstein, sem priorização, pedindo excelência simultânea em tudo.


O que isso revela: ausência de estratégia e de modelo operacional (full service vs especialistas).


Como corrigir: defina o modelo: full service para orquestração integrada ou especialistas por canal com governança forte.





5) “A concorrência é para escolher parceiro… mas queremos 30 ideias prontas”


O absurdo: exigir trabalho especulativo como se fosse entrega.


O que isso revela: confusão entre seleção e produção.


Como corrigir: selecione por método, repertório, casos, raciocínio e proposta de trabalho. Se precisar de prova prática, pague um piloto (teste remunerado) e defina propriedade intelectual. Boas práticas de mercado tratam de remuneração, confidencialidade e ownership. (4As)




6) “O comitê tem 12 pessoas e ninguém decide”


O absurdo: todo mundo opina, pouca gente assume critério e responsabilidade.

O que isso revela: governança fraca.


Como corrigir: defina:


  • sponsor (quem banca)

  • dono do processo (quem organiza)

  • avaliadores (quem pontua)

  • decisor final (quem escolhe)


Diretrizes de search recomendam clareza de papéis e participação consistente ao longo do processo. (UAPR)




7) “A avaliação é subjetiva: ‘gostei / não gostei’”


O absurdo: critérios estéticos disfarçados de estratégia.


O que isso revela: falta de scorecard.


Como corrigir: crie uma matriz de decisão com pesos, por exemplo:


  • entendimento do problema (25%)

  • clareza do método (20%)

  • capacidade de execução (20%)

  • cases e evidências (15%)

  • time e senioridade real (10%)

  • proposta comercial e governança (10%)


E aplique a mesma régua para todos. (UAPR)




8) “A apresentação é sobre slides bonitos, não sobre resolver o problema”


O absurdo: vence quem performa melhor no palco.


O que isso revela: avaliação de forma, não de substância.


Como corrigir: peça entregáveis comparáveis: documento de abordagem, cronograma, riscos, indicadores, governança. E reserve Q&A com perguntas iguais para todos.




9) “A agência A recebeu informações que a agência B não recebeu”


O absurdo: assimetria de informação.


O que isso revela: falta de processo centralizado.


Como corrigir: faça um “Q&A oficial” por escrito, com respostas compartilhadas para todos, em prazos definidos. Isso é básico em processos bem estruturados. (UAPR)




10) “O problema muda no meio do processo (e ninguém atualiza nada)”


O absurdo: briefing e escopo mudam, mas o RFP permanece o mesmo.


O que isso revela: falta de gestão de mudanças.


Como corrigir: qualquer mudança relevante precisa de adendo oficial e, se necessário, ajuste de prazo.




11) “A concorrência existe, mas a escolha já estava feita”


O absurdo: concorrência como formalidade para legitimar uma decisão anterior.


O que isso revela: compliance de fachada.


Como corrigir: se a decisão já existe, seja honesto. Faça um onboarding estruturado com o parceiro e pare de desperdiçar energia do mercado.




12) “Vamos pedir um case… mas sem permitir falar dados, números ou nome do cliente”


O absurdo: exigir prova sem permitir evidência.


O que isso revela: exigência desconectada da realidade de confidencialidade.


Como corrigir: aceite cases anonimizados com métricas relativas (ex.: crescimento percentual) e evidências metodológicas. E permita referências sob NDA quando necessário. (4As)




13) “Queremos senioridade… mas o time que aparece na venda nunca aparece na execução”


O absurdo: time “de apresentação” e time “de verdade”.


O que isso revela: falta de cláusulas e rituais de governança.


Como corrigir: peça organograma do time dedicado, senioridade, horas estimadas e cadência de rituais (WBR/MBR, QBR).





14) “RFP de 40 páginas… para escolher por preço”


O absurdo: fingir sofisticação e decidir por commodity.


O que isso revela: desalinhamento entre intenção e critério real.


Como corrigir: se o objetivo é eficiência de custo, assuma e faça licitação por escopo bem definido. Se o objetivo é parceria estratégica, avalie por método e capacidade de gerar resultado.




15) “Não damos feedback para não ‘criar discussão’”


O absurdo: silêncio total depois de semanas de trabalho.


O que isso revela: medo, falta de estrutura ou desrespeito involuntário.


Como corrigir: feedback é parte do processo saudável — inclusive aparece em recomendações de boas práticas para relações agência-cliente e busca/seleção. (4As)




16) “Pedimos proposta de mídia… mas não temos dados históricos nem acesso”


O absurdo: cobrar previsão precisa sem insumos mínimos.


O que isso revela: processo que ignora dados.


Como corrigir: compartilhe histórico (ao menos agregado), benchmarks internos, sazonalidade, CAC/CPA atuais, limitações de tracking e stack (GA4, CRM, CDP etc.).





17) “A cláusula é: a ideia apresentada passa a ser da empresa (mesmo se não contratar)”


O absurdo: apropriação de trabalho intelectual.


O que isso revela: risco jurídico e reputacional.


Como corrigir: trate propriedade intelectual com seriedade. As 4A’s têm orientação específica sobre acordos de busca, NDAs e ownership. (4As)




O custo invisível desses absurdos (o que ninguém coloca na planilha)


Quando a concorrência é mal desenhada, você perde:


  • Velocidade (retrabalho, rebriefing, reprocesso)

  • Qualidade (as melhores casas evitam processos ruins)

  • Inovação (ninguém arrisca em ambiente injusto)

  • Aprendizado (sem feedback, o mercado não evolui)

  • Confiança (começa a relação com “pulga atrás da orelha”)


E um efeito colateral pouco comentado: você treina a organização a valorizar performance de apresentação, não performance de execução.



O “processo bom” em 7 passos (modelo de concorrência que funciona)


Abaixo um modelo simples, inspirado em boas práticas defendidas por associações do setor e guias de pitch (estrutura, clareza, critérios, transparência e respeito ao tempo). (UAPR)



1) Comece com um briefing estratégico (não um checklist)


Inclua:


  • problema específico

  • contexto (mercado, concorrência, momento)

  • objetivo de negócio e de marketing

  • público (comportamento > demografia)

  • proposta de valor

  • restrições (legais, marca, timing)

  • critérios de sucesso e métricas



2) Defina o tipo de parceiro (antes de abrir a concorrência)


  • Full service (orquestração)

  • Especialistas por canal

  • Consultoria estratégica + operação interna

  • Squad híbrido


Sem isso, você cria um RFP que pede “tudo” e compara “nada”.



3) Diminua o número de participantes (e aumente a qualidade)


Shortlist curta.


Processos longos com muitos players viram desperdício coletivo.



4) Padronize perguntas e entregáveis comparáveis


Exemplos de entregáveis:


  • abordagem (como pensa)

  • plano de diagnóstico (o que precisa saber)

  • proposta de governança (como trabalha)

  • premissas e riscos (o que pode dar errado)

  • roadmap 90 dias (como começa)


Menos “ideia pronta”. Mais “método replicável”.



5) Use um scorecard com pesos (e registre as notas)


Sem isso, o “feeling” domina.


E feeling é ótimo… para criar campanha. Péssimo… para escolher fornecedor.



6) Proteja a relação desde o começo: NDA, ownership, remuneração de prova prática


Se houver teste, trate como piloto pago ou etapa remunerada.


Isso é um sinal claro de maturidade e respeito, e está alinhado a guias de boas práticas de search. (4As)



7) Feche com feedback e próximos passos claros


Feedback não é “mimo”. É governança.


E melhora o ecossistema inteiro.



Mini-template: como escrever um RFP que evita absurdos


Copie e cole (e ajuste):


  • Contexto: onde estamos e por quê isso importa agora

  • Problema: o que está travando crescimento/percepção/receita

  • Objetivo (mensurável): resultado esperado + prazo

  • Público: quem decide, quem influencia, que crenças e dores têm

  • Escopo: o que está dentro e fora (bem explícito)

  • Canais e ativos existentes: o que já temos e o que falta

  • Stack e dados: ferramentas, acesso, histórico (mesmo que parcial)

  • Critérios de avaliação: pesos e expectativa de entrega

  • Cronograma: datas, etapas, Q&A, apresentação, decisão

  • Orçamento: faixa ou modelo (retainer, projeto, híbrido)

  • Regras: NDA, propriedade intelectual, reembolso, contato único

  • Definição de sucesso: métricas e rituais (WBR/MBR/QBR)



Onde a Amper entra nisso (exemplo de boa prática)


Na Amper, a gente costuma dizer que a concorrência não é só para escolher fornecedor — é para escolher um jeito de trabalhar.


Por isso, quando participamos (ou quando ajudamos clientes a estruturar), o foco não é “quem tem o slide mais bonito”. É:


  • clareza de briefing

  • profundidade de diagnóstico

  • governança e rituais

  • capacidade de execução integrada

  • aprendizado contínuo


Se a concorrência começa mal, o contrato começa mal.

E nenhuma “criatividade” compensa um começo torto.



FAQ


1) Qual é o maior erro em processos de concorrência?

Briefing frágil + critérios ocultos. Sem objetivo, escopo e régua de avaliação, a concorrência vira opinião, não decisão.


2) É errado pedir ideias prontas em concorrência?

Não é “errado” em tese, mas é um dos maiores geradores de distorção. Se a empresa precisa de prova prática, o ideal é piloto remunerado e regra clara de propriedade intelectual. (4As)


3) Por que informar orçamento melhora a concorrência?

Porque evita propostas incompatíveis, reduz desperdício e aumenta comparabilidade. Mesmo uma faixa já resolve grande parte do problema. (Slam Media Lab)


4) Como comparar agências sem cair no “gostei/não gostei”?

Com scorecard com pesos, perguntas iguais para todos e entregáveis padronizados (método, governança, roadmap, riscos e premissas). (UAPR)


5) Quais referências existem sobre boas práticas de pitch e seleção?

Diretrizes conjuntas de ANA/4A’s, guias de pitch WFA/EACA e o guia WFA x VoxComm com princípios de seleção mais transparentes e “people-first”. (Ana)



Links de referência:


  • Diretrizes de busca/seleção: ANA/4A’s Guidelines for Agency Search (Ana)

  • Boas práticas de acordos/NDAs/ownership em buscas: 4A’s Best Practice Guidance (4As)

  • Pitch guidelines (cliente-agência): WFA/EACA Pitch Guidelines (HURA)

  • Princípios recentes de seleção: WFA x VoxComm Agency Selection Guiding Principles (VoxComm)


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