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Comunicação e Marketing Inteligentes para Negócios na América Latina

Os maiores absurdos que já vimos em processos de concorrência (e como evitar que isso vire rotina)

  • 27 de mar.
  • 8 min de leitura

Se você lidera marketing, compras ou comunicação, você já percebeu: o processo de concorrência virou, muitas vezes, um teatro.


Um teatro caro.


Caro para a empresa (porque escolhe mal, retrabalha e paga “a conta invisível”).

Caro para as agências e fornecedores (porque investem horas e gente qualificada em um jogo com regras nebulosas).


E caro para a marca (porque a decisão errada vira campanha fraca, posicionamento confuso e performance abaixo do potencial).


Nos últimos anos, o mercado inteiro começou a formalizar o que antes era só reclamação de bastidor: pitchs e RFPs precisam ser mais transparentes, mais humanos e mais bem estruturados, e existem guias de boas práticas que sustentam isso, como as diretrizes conjuntas de ANA/4A’s e recomendações de associações globais como WFA/EACA e o guia WFA x VoxComm para seleção de agências. (Referências ao longo do texto) (Ana)


Mulher em escritório, sentada com tablet. Ao fundo, quadro branco com rabiscos e textos sobre critérios de avaliação. Emoção de concentração.



O que são “absurdos em processos de concorrência”?


São falhas de método e de governança (ou falta de ética operacional) em RFPs/pitches/concorrências que tornam a escolha de fornecedores injusta, ineficiente ou impossível de comparar. Em geral, envolvem: briefing frágil, critérios ocultos, prazos irreais, escopo inconsistente, “trabalho especulativo” sem remuneração, falta de feedback e decisões já tomadas antes do processo começar. (UAPR)



Por que isso acontece tanto?


Porque concorrência virou “processo” sem virar “sistema”.

Você tem:

  • Um documento (RFP) que parece completo, mas não permite decisão boa.

  • Um ritual (apresentações), mas sem critérios claros e comparáveis.

  • Um comitê que opina, mas não assume responsabilidades.

  • Um cronograma que atende o calendário interno, não a qualidade do trabalho.

E isso cria o cenário perfeito para o absurdo: muito esforço, pouca informação, decisão fraca.

A boa notícia: dá para corrigir.

A má notícia: corrigir exige coragem para abandonar “o jeito que sempre foi”.


Os maiores absurdos (com o que isso revela — e como corrigir)


Abaixo, uma lista que mistura situações comuns em concorrências de agência, marketing, branding, mídia, performance, produção e tecnologia.


A ideia não é “expor” ninguém. É criar um checklist do que NÃO repetir.



1) “Precisamos de uma ideia criativa genial… mas não podemos falar o objetivo”


O absurdo: a empresa exige conceito, campanha, estratégia e plano tático, mas não compartilha meta, funil, margem, desafios e contexto.

O que isso revela: medo de “vazar informação” + briefing fraco + falta de governança.


Como corrigir: briefing estratégico de verdade, com objetivo mensurável, problema específico, público e restrições claras. Se a preocupação for confidencialidade, use NDA e regras de propriedade intelectual (há boas práticas formais para isso). (4As)





2) “O prazo é amanhã porque o diretor quer ver na reunião”


O absurdo: concorrência com prazos irreais que impedem diagnóstico, pesquisa e pensamento.


O que isso revela: processo usado como “maquiagem de urgência”.


Como corrigir: estabeleça cronograma compatível com complexidade. Diretrizes do setor recomendam processos bem geridos, com participação ativa e alinhamento de expectativas desde o início. (UAPR)



3) “Manda uma proposta… mas sem falar o orçamento”


O absurdo: RFP pede plano completo, mídia, entregas, equipe e tecnologia, mas se recusa a informar budget (ou ao menos faixa).


O que isso revela: tentativa de “pescar preço” ou medo de encarecer.


Como corrigir: compartilhe faixa de investimento, prioridades e o que é flexível. Isso reduz propostas fora da realidade e melhora comparabilidade (inclusive em guias práticos de RFP). (Slam Media Lab)




4) “Queremos tudo: branding + performance + PR + evento + inbound + design + social… no mesmo pacote”


O absurdo: escopo Frankenstein, sem priorização, pedindo excelência simultânea em tudo.


O que isso revela: ausência de estratégia e de modelo operacional (full service vs especialistas).


Como corrigir: defina o modelo: full service para orquestração integrada ou especialistas por canal com governança forte.





5) “A concorrência é para escolher parceiro… mas queremos 30 ideias prontas”


O absurdo: exigir trabalho especulativo como se fosse entrega.


O que isso revela: confusão entre seleção e produção.


Como corrigir: selecione por método, repertório, casos, raciocínio e proposta de trabalho. Se precisar de prova prática, pague um piloto (teste remunerado) e defina propriedade intelectual. Boas práticas de mercado tratam de remuneração, confidencialidade e ownership. (4As)




6) “O comitê tem 12 pessoas e ninguém decide”


O absurdo: todo mundo opina, pouca gente assume critério e responsabilidade.

O que isso revela: governança fraca.


Como corrigir: defina:


  • sponsor (quem banca)

  • dono do processo (quem organiza)

  • avaliadores (quem pontua)

  • decisor final (quem escolhe)


Diretrizes de search recomendam clareza de papéis e participação consistente ao longo do processo. (UAPR)




7) “A avaliação é subjetiva: ‘gostei / não gostei’”


O absurdo: critérios estéticos disfarçados de estratégia.


O que isso revela: falta de scorecard.


Como corrigir: crie uma matriz de decisão com pesos, por exemplo:


  • entendimento do problema (25%)

  • clareza do método (20%)

  • capacidade de execução (20%)

  • cases e evidências (15%)

  • time e senioridade real (10%)

  • proposta comercial e governança (10%)


E aplique a mesma régua para todos. (UAPR)




8) “A apresentação é sobre slides bonitos, não sobre resolver o problema”


O absurdo: vence quem performa melhor no palco.


O que isso revela: avaliação de forma, não de substância.


Como corrigir: peça entregáveis comparáveis: documento de abordagem, cronograma, riscos, indicadores, governança. E reserve Q&A com perguntas iguais para todos.




9) “A agência A recebeu informações que a agência B não recebeu”


O absurdo: assimetria de informação.


O que isso revela: falta de processo centralizado.


Como corrigir: faça um “Q&A oficial” por escrito, com respostas compartilhadas para todos, em prazos definidos. Isso é básico em processos bem estruturados. (UAPR)




10) “O problema muda no meio do processo (e ninguém atualiza nada)”


O absurdo: briefing e escopo mudam, mas o RFP permanece o mesmo.


O que isso revela: falta de gestão de mudanças.


Como corrigir: qualquer mudança relevante precisa de adendo oficial e, se necessário, ajuste de prazo.




11) “A concorrência existe, mas a escolha já estava feita”


O absurdo: concorrência como formalidade para legitimar uma decisão anterior.


O que isso revela: compliance de fachada.


Como corrigir: se a decisão já existe, seja honesto. Faça um onboarding estruturado com o parceiro e pare de desperdiçar energia do mercado.




12) “Vamos pedir um case… mas sem permitir falar dados, números ou nome do cliente”


O absurdo: exigir prova sem permitir evidência.


O que isso revela: exigência desconectada da realidade de confidencialidade.


Como corrigir: aceite cases anonimizados com métricas relativas (ex.: crescimento percentual) e evidências metodológicas. E permita referências sob NDA quando necessário. (4As)




13) “Queremos senioridade… mas o time que aparece na venda nunca aparece na execução”


O absurdo: time “de apresentação” e time “de verdade”.


O que isso revela: falta de cláusulas e rituais de governança.


Como corrigir: peça organograma do time dedicado, senioridade, horas estimadas e cadência de rituais (WBR/MBR, QBR).





14) “RFP de 40 páginas… para escolher por preço”


O absurdo: fingir sofisticação e decidir por commodity.


O que isso revela: desalinhamento entre intenção e critério real.


Como corrigir: se o objetivo é eficiência de custo, assuma e faça licitação por escopo bem definido. Se o objetivo é parceria estratégica, avalie por método e capacidade de gerar resultado.




15) “Não damos feedback para não ‘criar discussão’”


O absurdo: silêncio total depois de semanas de trabalho.


O que isso revela: medo, falta de estrutura ou desrespeito involuntário.


Como corrigir: feedback é parte do processo saudável — inclusive aparece em recomendações de boas práticas para relações agência-cliente e busca/seleção. (4As)




16) “Pedimos proposta de mídia… mas não temos dados históricos nem acesso”


O absurdo: cobrar previsão precisa sem insumos mínimos.


O que isso revela: processo que ignora dados.


Como corrigir: compartilhe histórico (ao menos agregado), benchmarks internos, sazonalidade, CAC/CPA atuais, limitações de tracking e stack (GA4, CRM, CDP etc.).





17) “A cláusula é: a ideia apresentada passa a ser da empresa (mesmo se não contratar)”


O absurdo: apropriação de trabalho intelectual.


O que isso revela: risco jurídico e reputacional.


Como corrigir: trate propriedade intelectual com seriedade. As 4A’s têm orientação específica sobre acordos de busca, NDAs e ownership. (4As)




O custo invisível desses absurdos (o que ninguém coloca na planilha)


Quando a concorrência é mal desenhada, você perde:


  • Velocidade (retrabalho, rebriefing, reprocesso)

  • Qualidade (as melhores casas evitam processos ruins)

  • Inovação (ninguém arrisca em ambiente injusto)

  • Aprendizado (sem feedback, o mercado não evolui)

  • Confiança (começa a relação com “pulga atrás da orelha”)


E um efeito colateral pouco comentado: você treina a organização a valorizar performance de apresentação, não performance de execução.



O “processo bom” em 7 passos (modelo de concorrência que funciona)


Abaixo um modelo simples, inspirado em boas práticas defendidas por associações do setor e guias de pitch (estrutura, clareza, critérios, transparência e respeito ao tempo). (UAPR)



1) Comece com um briefing estratégico (não um checklist)


Inclua:


  • problema específico

  • contexto (mercado, concorrência, momento)

  • objetivo de negócio e de marketing

  • público (comportamento > demografia)

  • proposta de valor

  • restrições (legais, marca, timing)

  • critérios de sucesso e métricas



2) Defina o tipo de parceiro (antes de abrir a concorrência)


  • Full service (orquestração)

  • Especialistas por canal

  • Consultoria estratégica + operação interna

  • Squad híbrido


Sem isso, você cria um RFP que pede “tudo” e compara “nada”.



3) Diminua o número de participantes (e aumente a qualidade)


Shortlist curta.


Processos longos com muitos players viram desperdício coletivo.



4) Padronize perguntas e entregáveis comparáveis


Exemplos de entregáveis:


  • abordagem (como pensa)

  • plano de diagnóstico (o que precisa saber)

  • proposta de governança (como trabalha)

  • premissas e riscos (o que pode dar errado)

  • roadmap 90 dias (como começa)


Menos “ideia pronta”. Mais “método replicável”.



5) Use um scorecard com pesos (e registre as notas)


Sem isso, o “feeling” domina.


E feeling é ótimo… para criar campanha. Péssimo… para escolher fornecedor.



6) Proteja a relação desde o começo: NDA, ownership, remuneração de prova prática


Se houver teste, trate como piloto pago ou etapa remunerada.


Isso é um sinal claro de maturidade e respeito, e está alinhado a guias de boas práticas de search. (4As)



7) Feche com feedback e próximos passos claros


Feedback não é “mimo”. É governança.


E melhora o ecossistema inteiro.



Mini-template: como escrever um RFP que evita absurdos


Copie e cole (e ajuste):


  • Contexto: onde estamos e por quê isso importa agora

  • Problema: o que está travando crescimento/percepção/receita

  • Objetivo (mensurável): resultado esperado + prazo

  • Público: quem decide, quem influencia, que crenças e dores têm

  • Escopo: o que está dentro e fora (bem explícito)

  • Canais e ativos existentes: o que já temos e o que falta

  • Stack e dados: ferramentas, acesso, histórico (mesmo que parcial)

  • Critérios de avaliação: pesos e expectativa de entrega

  • Cronograma: datas, etapas, Q&A, apresentação, decisão

  • Orçamento: faixa ou modelo (retainer, projeto, híbrido)

  • Regras: NDA, propriedade intelectual, reembolso, contato único

  • Definição de sucesso: métricas e rituais (WBR/MBR/QBR)



Onde a Amper entra nisso (exemplo de boa prática)


Na Amper, a gente costuma dizer que a concorrência não é só para escolher fornecedor — é para escolher um jeito de trabalhar.


Por isso, quando participamos (ou quando ajudamos clientes a estruturar), o foco não é “quem tem o slide mais bonito”. É:


  • clareza de briefing

  • profundidade de diagnóstico

  • governança e rituais

  • capacidade de execução integrada

  • aprendizado contínuo


Se a concorrência começa mal, o contrato começa mal.

E nenhuma “criatividade” compensa um começo torto.



FAQ


1) Qual é o maior erro em processos de concorrência?

Briefing frágil + critérios ocultos. Sem objetivo, escopo e régua de avaliação, a concorrência vira opinião, não decisão.


2) É errado pedir ideias prontas em concorrência?

Não é “errado” em tese, mas é um dos maiores geradores de distorção. Se a empresa precisa de prova prática, o ideal é piloto remunerado e regra clara de propriedade intelectual. (4As)


3) Por que informar orçamento melhora a concorrência?

Porque evita propostas incompatíveis, reduz desperdício e aumenta comparabilidade. Mesmo uma faixa já resolve grande parte do problema. (Slam Media Lab)


4) Como comparar agências sem cair no “gostei/não gostei”?

Com scorecard com pesos, perguntas iguais para todos e entregáveis padronizados (método, governança, roadmap, riscos e premissas). (UAPR)


5) Quais referências existem sobre boas práticas de pitch e seleção?

Diretrizes conjuntas de ANA/4A’s, guias de pitch WFA/EACA e o guia WFA x VoxComm com princípios de seleção mais transparentes e “people-first”. (Ana)



Links de referência:


  • Diretrizes de busca/seleção: ANA/4A’s Guidelines for Agency Search (Ana)

  • Boas práticas de acordos/NDAs/ownership em buscas: 4A’s Best Practice Guidance (4As)

  • Pitch guidelines (cliente-agência): WFA/EACA Pitch Guidelines (HURA)

  • Princípios recentes de seleção: WFA x VoxComm Agency Selection Guiding Principles (VoxComm)


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